Argumentos para a existência de Deus

O argumento ontológico

Explore o argumento ontológico de Anselmo de Cantuária e descubra a lógica por trás da forte probabilidade da existência de Deus. (Continuar a ler)

Em 1078, Anselmo de Cantuária, um monge beneditino e filósofo, apresentou um argumento que continua a intrigar e a dividir filósofos até aos dias de hoje. O chamado argumento ontológico sugere que a mera possibilidade da existência de Deus implica a sua existência real. Este artigo explora o argumento de Anselmo, analisando a sua lógica e examinando as críticas mais comuns, com o objetivo de demonstrar a forte probabilidade da existência de Deus.

Sumário

Este artigo lê-se em 3 minutos

1. Introdução
2. O Argumento Ontológico: Uma Breve História
3. Definindo o Ser Maximamente Grande
4. Mundos Possíveis: Uma Explicação Necessária
5. A Coerência do Ser Maximamente Grande
6. Conclusão
7. Bibliografia recomendada

O argumento ontológico: Uma breve história

Anselmo propôs que, se é possível conceber um Ser Maximamente Grande (Deus), então Deus deve existir. Esta ideia não foi universalmente aceite. Filósofos como Arthur Schopenhauer ridicularizaram-na, enquanto outros, como Charles Hartshorne, Norman Malcolm e Alvin Plantinga, defenderam a sua validade. O argumento ontológico continua a ser um dos mais discutidos na filosofia da religião.

Raciocínio Lógico para os "nerds" da filosofia:

1. É possível que exista um Ser Maximamente Grande.
2. Um Ser Maximamente Grande existe em algum mundo possível
3. Se existe um Ser Maximamente Grande em algum mundo possível, então existe em todos mundos possíveis.
4. Se um Ser Maximamente Grande existe em todos os mundos possíveis, então ele existe no mundo real.
5. Um Ser Maximamente Grande existe no mundo real.
6. Portanto, um Ser Maximamente Grande existe.

Definindo o Ser Maximamente Grande

Para entender o argumento de Anselmo, é crucial definir o que se entende por "Ser Maximamente Grande". Este ser teria de possuir todas as qualidades perfeitas, incluindo onipotência, omnisciência e perfeição moral, em todos os mundos possíveis. Se algo fosse maior que Deus, esse algo seria Deus. Portanto, um Ser Maximamente Grande deve ser o ser supremo em todos os aspetos e em todas as realidades possíveis.

 

Mundos possíveis: Uma explicação necessária

Os mundos possíveis são maneiras alternativas de como o mundo poderia ter sido. Dizer que algo existe num mundo possível significa que, sob certas circunstâncias, essa coisa poderia existir. Por exemplo, embora os unicórnios não existam no nosso mundo, é concebível que pudessem existir noutro mundo possível. Contrariamente, um solteiro casado não poderia existir em nenhum mundo possível, pois a ideia é logicamente incoerente.

 

A coerência do Ser Maximamente Grande

O ponto crucial do argumento ontológico é demonstrar que a ideia de um Ser Maximamente Grande é coerente. Se um Ser Maximamente Grande é possível, então deve existir em algum mundo possível. E, se existe em algum mundo possível, então deve existir em todos os mundos possíveis, incluindo o nosso. Portanto, Deus existe.

 

Refutação das paródias

Alguns críticos tentaram parodiar o argumento, sugerindo, por exemplo, a existência de uma pizza maximamente grande. No entanto, a noção de uma pizza maximamente grande não é comparável a um Ser Maximamente Grande, pois não existem propriedades máximas intrínsecas que definam uma pizza como suprema. Além disso, uma pizza maximamente grande não poderia ser comida, contradizendo a própria definição de pizza. Assim, estas paródias falham em demonstrar uma incoerência no argumento ontológico.

 

Argumento sólido

O argumento ontológico, quando analisado cuidadosamente, apresenta uma lógica sólida que sugere a forte probabilidade da existência de Deus. A ideia de um Ser Maximamente Grande é coerente e logicamente possível. Portanto, se é possível que Deus exista, então Deus realmente existe.

Bibliografia recomendada

1. Anselmo de Cantuária. "Proslogion".
2. Alvin Plantinga. "The Nature of Necessity".
3. Charles Hartshorne. "Anselm’s Discovery".
4. Norman Malcolm. "Anselm's Ontological Arguments".
5. Arthur Schopenhauer. "Parerga and Paralipomena".

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